< Controvérsias




A menina espevitada que se encontra em palavras e poesia. A que se cura com gargalhadas, e se irrita com grosserias. A que franze a testa assistindo jornal e a que encontrou aqui um refúgio pra todo esse barulho. Mais uma fã de Martha Medeiros,publicidade,cinema e Clarice Lispector.



terça-feira, 24 de novembro de 2009



Das alegrias invisíveis

  Na sintonia de: The Smiths - There is a light that never goes out


Em um dia pela manhã, olhou para o espelho com os olhos cansados e estática perguntou para si mesma: será essa a felicidade máxima? felicidade absoluta? Como saber se é?

postado por Carol @ 04:00 4 Comentários Links para esta postagem

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Presos por fios

  Na sintonia de: Kings of Convenience - Scars on Land

Dia desses estava lendo um livro e um trecho que citava Kant me chamou muita atenção. Dizia a seguinte mensagem: "As pessoas estão presas por fios invisíveis. Você puxa um, e todo conjunto se mexe. Essa ação afeta tudo e a todos."

Por mais que tenha tentado, nunca consegui acreditar naquela velha frase de que é cada um por si, porque não é. Acredito de verdade que estamos todos juntos, acredito em plural, sempre gostei mais de soma do que de subtração.

Nós dependemos do seu Manoel da padaria, do motorista do ônibus que acorda cedo toda manhã, do nosso amigo que nos conforta nos dias mais tempestuosos. Precisamos de alguém para trocar a lâmpada que sempre teima em queimar, de colo de avó, de alguém mais alto para nos alcançar o pote de açúcar.

Um sorriso muda tudo, uma palavra forte nos faz mudar de percurso, uma ação impensada pode nos tornar tão vulneráveis.

Essa linha imaginária que não é aquela do Equador que a gente aprendia na aula de Geografia, linha que mesmo na distância nos torna tão próximos, é um carrossel, anda com todo mundo, é infinita, não tem cor, mas tem algo em comum: Une as pessoas para uma só condição - A condição da felicidade.

postado por Carol @ 12:21 3 Comentários Links para esta postagem

terça-feira, 13 de outubro de 2009



Sobre socos no estômago

  Na sintonia de: The Fray - Never say never

Tem uma frase da Clarice, a Lispector que diz o seguinte “a vida é um soco no estômago”, eu sempre gostei bastante dessa frase, até que um dia me perguntaram o que ela queria dizer com isso. Aí eu pensei: entender o que a dona Clarice queria dizer, fica meio difícil, porque gênios costumam ser irônicos e muitas vezes o que eles dizem não tem um sentido legítimo. Mas para mim, essa frase pode dizer tantas coisas, principalmente, ela resume o que é viver. Explico.

Viver é ficar muitos momentos sem ar, viver tira o fôlego, é adrenalina, é emoção, é um ir e vir. Viver dói, viver impulsiona, viver consome. Viver é um instante, são pequenos fragmentos, viver é ficar tonto, viver é logo ficar sóbrio, é como um soco no estômago, viver é inesperado.

Viver é sim um soco no estômago, dolorido e estático. Tira o ar e logo recompõe, é um instante, um frame que só sente quem vive com V maiúsculo.

postado por Carol @ 19:33 6 Comentários Links para esta postagem

segunda-feira, 21 de setembro de 2009



Felicidade com entrada gratuita

  Na sintonia de: Kings of Convenience - Boat Behind


A vida não é um filme, mas às vezes tudo parece uma cena em slow motion, são tantos detalhes que fazem o nosso dia mais bonito.

As pessoas buscam a felicidade nas pequenas coisas, e isso não é apenas um velho clichê. É perceptível a felicidade radiante do casalzinho do ônibus quando vagam dois lugares para sentarem juntos. Dá pra ver como um simples toque no play do mp3 player do cara que busca a todo custo dar uma melodia para sua manhã, faz seus olhos brilharem com mais intensidade.

O sorriso de satisfação da menina que terminou o livro que estava parado na página 72 há mais de um mês. A alegria de amigos se encontrarem por acaso na rua, um telefonema gostoso de bom dia, ganhar uma bala de presente, um cafuné no cabelo.

São essas pequenas felicidades que tornam a vida um grande filme, daqueles com direito a Oscar e estatuetas. Felicidade que se forma pelos detalhes, pela essência, pelas cores. Já dizia Drummond:"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade".

postado por Carol @ 11:41 8 Comentários Links para esta postagem

terça-feira, 1 de setembro de 2009



Escolhas

  Na sintonia de: Los Hermanos - Todo Carnaval tem seu fim

Lembro da época da escola, a professora decidia aonde cada um iria sentar, e se sentaríamos na frente ou atrás. No dia da escolha era a maior festa, eu ficava na expectativa pra ver se ia sentar perto dos colegas mais próximos, ou se iria ficar distante deles.

Nem sempre tinha sorte, às vezes era escolhida para sentar bem na frente, perto da parede,quando o que eu queria mesmo era ficar perto das pessoas, queria estar no fundão conversando com os amigos.

Algum tempo venho pensando a respeito: a vida é mesmo feita de escolhas. Até uma certa idade, nossos pais faziam as escolhas por nós, escolhiam nossas roupas, nosso almoço, nosso programa de final de semana, até os sonhos eram devidamente repartidos.
Mas aí o tempo passa, nós bem adultinhos da Silva, temos que tomar as decisões e sempre na ânsia de acertar.

Escolhas que exigem noites mal-dormidas, escolhas simples, escolhas que dependem unicamente da nossa decisão. Direita ou esquerda? vermelho ou amarelo? Paris ou Milão? Pra sempre ou temporário?

O fato é que hoje percebo como sentar na frente do lado da parede, (escolha da professora) não era de todo mal, inclusive isso deve ter feito alguma diferença nas minhas decisões atuais, porque de verdade, eu acredito que nossas escolhas de hoje tem um pouquinho das nossas escolhas do passado.

postado por Carol @ 12:19 9 Comentários Links para esta postagem

quarta-feira, 5 de agosto de 2009



Se a vida fosse um Parque de Diversões

  Na sintonia de: João Gilberto - Não vou pra casa




Acho um barato pessoas impulsivas dispostas a largar tudo de pernas pro ar numa quarta-feira às 10 horas da manhã. Pessoas que aos 30 anos descobrem que os 10 anos de carreira na verdade foram apenas longos estágios, que o aprendizado não acabou e que a vida merece uma injeção de adrenalina.

Quem pega o mapa nas mãos e vai mochilar por aí, sem rumo, disposto a encontrar uma visão diferente do sol que se põe.
Aqueles que se não concordam, extravasam e seguem o coração independente de qualquer coisa, a razão sempre é segunda opção.

Comigo é diferente, eu preciso do estável, do chão, da certeza, preciso ter dimensão para que o pulo não seja maior que o espaço que tenho, e em certos momentos, essa estabilidade toda perde o brilho, falta frio no estômago, falta impulso.

Às vezes é preciso se ter ângulos dierentes, é necessário na vida um bocado de montanha russa, roda gigante e trem fantasma, e não apenas carrossel.

postado por Carol @ 06:08 8 Comentários Links para esta postagem

sexta-feira, 17 de julho de 2009



Cinza.

  Na sintonia de: Death cab of cutie - What Sarah Said


No começo da manhãzinha, o céu ainda cinza, a vida ainda tranquila, o frio que deixava os cabelos despentedos, tudo isso era o cenário ideal para os pensamentos inacabados.

Manhã tão cinza que não dava para enxergar a luz no fim do túnel, tão cinza que as cores radiantes da alegria ficavam sobrepostas. Sem cor não dava para viver, pensava ela.

A esperança era o antídoto para a consciência da realidade dura que vinha de forma veloz com a névoa cinza. Esperança das cores, esperança dos finais felizes que lia tanto nas histórias das princesas quando era criança. Esperança de não ser podada, e de aprender a soltar os pés para que pudesse voar mais alto, porque ela só queria sentir a brisa no rosto.

Então, das nuvens surgiu um fio de luz, era o sinal que precisava. A luz para as mudanças estava nela, apenas nela.

postado por Carol @ 07:03 5 Comentários Links para esta postagem